29 de março de 2012

Um pouco de poesia do maranhense Raimundo Correia:



  • que herdei de minha mãe
  • que publiquei e compartilhei demais
  • que publiquei e compartilhei menos do que merece ser publicado e compartilhado
  • que me causa alguma emoção e muita reflexão

Mal Secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

Um comentário:

Flávio Lopes disse...

Muito legal seu blog, música e poesia permeadas pelo seu talento, uma mistura perfeita, meus parabéns, somente Cecília Meireles para falar melhor a respeito disso:

Motivo


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.


Cecília Meireles